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Bons rapazes, grandes Homens

Bons rapazes, grandes Homens

Persistência da memória

24.09.18 | Jack Sparrow

“A persistência da memória”

Para manter o amor vivo, temos de saber como ele nasce. Ao escolhermos estar presentes com outra pessoa, toda a vida se torna real e verdadeira.

Todos nós queremos ser amados, por isso nao é nenhuma surpresa que existam tantos artigos, peças de arte, filmes, novelas e peças de teatro que tenham sido criadas sobre o amor. E também não é nenhuma surpresa que tantos de nós queiram compreender como manter um relacionamento saudável ou como manter o nosso amor vivo.

Quando alguém nos diz “eu amo-te” ou quando o dizemos a mais alguém, é sempre um momento pivotal nas nossas vidas. Quando nos sentimos amados, sentimos que “chegámos lá”. Sentimos não apenas que “a vida é boa” mas que também “nós somos bons”. O que tanto desejámos foi nos finalmente dado. Sentimo-nos completos. Mas para manter o amor vivo, precisamos saber como é que ele nasce.

Quando olhamos para nós, e estudamos como a emoção é construída, percebemos que o amor, tal como outra emoção qualquer, nao é apenas uma entidade leviatânica. É uma emoção que envolve muito do que nós somos; é sentimento e sensação misturados com memórias e pensamentos de como nós vemos o mundo e a nossa posição nele. Por exemplo, quando nos apaixonamos por alguém, normalmente pensamos que é a outra pessoa que nos preenche e que nos faz sentir vivos e completos. Mas não é a outra pessoa que nos completa. É o nosso amor que nos completa.

Na forma como nos relacionamos com a outra pessoa e por termos tanto carinho por ela é que nos abrimos emocionalmente, ficamos vulneráveis, contudo fortes o suficiente que nos permita enfrentar qualquer intempérie.

É a nossa habilidade em reconhecer que a outra pessoa não é a mesma que nós, contudo parte de nós, que nos completa.

Se pensarmos na outra pessoa como a fonte do nosso amor, todo o tipo de loucuras podem acontecer. Podemos até pensar que a nossa felicidade jaz indefesa nas mãos dessa pessoa e que nos foi retirado todo e qualquer poder sobre a nossa felicidade, ou até que esse outro ser tenha a sua existência puramente para nosso preenchimento emocional. Podemos sentir-nos tão abismados pela atracção que temos por essa pessoa que fica a restar pouco espaço para que essa pessoa tenha a sua realidade.

E assim se muda o amor para fúria, ódio, pessessividade, e muitas vezes violência. Acabamos por perceber o outro apenas em termos de como ele preenche a nossa imagem de como eles deviam ser, e perdemos de vista quem eles realmente são. Focamos nas nossas necessidades em detrimento das deles.

E assim irá haver sempre conflito. Sempre que eles se desviarem da nossa expectativa ou da história que lhes fomos contando, sentimo-nos ameaçados.

 

Carl Jung teorizou que quando estamos atraídos por alguém, percebemos características nossas que perdemos ou negligênciamos enquanto fomos crescendo, e que o nosso amor é uma tentativa louca de recuperar dessa perda.

Então assim que entramos num relacionamento, o que é preciso acontecer a essa imagem que projectamos na outra pessoa? A primeira imagem já nos levou à sua ombreira, mas quem irá abrir a porta? Ou precisamos nós de redescobrir e tomar responsabilidade sobre o que foi perdido?

Quando encontramos essa pessoa, temos de ser capazes de soltar a nossa imagem inicial para assim aceitarmos a realidade. De uma maneira semelhante, se pensarmos na outra pessoa como a fonte do nosso amor, nos nunca iremos ver, nunca iremos sentir quem nós realmente somos.

Abdicamos do nosso poder e subjugamo-lo ás nossa emoções tentando encontrar nos a nós mesmos em todos os lugares errados. E não temos de corrigir isto só uma vez. È preciso fazê-lo insistentemente todos os dias. É muito facil, após estar com alguem por largos meses, ou após viver com alguém por anos, de desenvolver uma maneira única de nos relacionarmos, ou de assumir que essa pessoa vai lá estar para sempre.

Às vezes costumava pensar que a minha esposa tinha morrido ou que me tinha deixado, e isto era o suficiente para me reaproximar dela e encurtar a nossa distância. Até que um dia me esqueci de fazer isto. Tentava nunca sair de casa sem dizer “adeus”. Se tínhamos uma discussão, quando voltava a compostura, reflectia no que tinha acontecido e pedia desculpa pela minha parte na disputa.

Um bom relacionamento não é necessariamente um em que ambos fazem tudo juntos. Em vez disso, é antes um onde cada parte dá à outra bastante espaço para eles serem e existirem. Um faz jardinagem e lê, o outro meditação e yoga. Da mesma maneira que eu sou mais do que ela sabe que eu sou, também ela é mais do que eu penso que ela é. Isto é como amar alguém nos pode transformar.

Passamos de um comportamento infantil e egoísta tendo uma necessidade premente de controlo sobre o que nos importa, para o reconhecimento de uma pessoa diferente de nós e que adiciona algo à nossa vida mas nunca deve subtrair.

Mantemos o amor vivo por autorizar que saiamos da nossa redoma de ideias e emoções. Reconhecemos e cuidamos da vida emocional de outra pessoa e deste modo ficamos mais rápidos a reconhecer as nossas proprias emoções e as de todos os que populam o mundo que nos rodeia.

Isto reveste-se de mais importância nos dias que correm, especialmente quando tantos de nós estão stressados e apressados, onde tanta comunicação acontece à distância de um aparelho; electronicamente e não pessoalmente.

Mas ao estarmos emocionalmente presentes com outra pessoa, toda a vida se torna real e verdadeira. Ao vermos e ao sentirmos os outros pela sua realidade, encontram-nos pelo caminho