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Bons rapazes, grandes Homens

Bons rapazes, grandes Homens

Boys don't Cry

14.07.18 | Jack Sparrow

Dizem que os homens não sentem; que somos estóicos, fortes e reservados; que escondemos como nos sentimos para que possamos jogar com os sentimentos dos outros. Os media dizem que o fazemos, deve ser verdade. Estereótipos culturais dizem que o fazemos, então deve ser verdade. Algumas mulheres pensam que é verdade. Alguns homens vão tentar convencer-nos que é verdade. Contudo, a verdade é uma alegoria metamórfica a quem é dada uma máscara e dito para ser o que não é. Luta para se libertar do papel que lhe é entregue e punida pelo mesmo motivo quando a máscara se alarga. È mal compreendida e vilificada na sua forma natural, sendo elogiada e glorificada quando é dobrada e torcida até chegar a algo irreconhecível. 


A verdade é que nós sentimos, e sentimos muito, sentimos as mesmas coisas que sente uma mulher e também as sentimos com a mesma intensidade. Mas o nosso papel é diferente, somos os protectores, os que providenciam e os pilares de força. À medida que vamos sendo alojados nestes papéis, como é que podemos nos dar ao luxo de sermos vulneráveis?


Como é que podemos ser aqueles que precisam de cuidados? Como podemos ser a vela que precisa de ser remendada durante uma tempestade?

 

Sabemos que não podemos ser os dois papéis opostos, então permanecemos estóicos, fortes e reservados porque isso é tudo o que nos é permitido.

 

Estamos vinculados ao nosso instinto de acção, de solucionar, de completar. Isto é o que marca a diferença em relação às mulheres, sendo que o que reúne mais crítica é a nossa predisposição para arranjar soluções, mas estes são os nossos sentimentos a brilhar, mas mesmo assim vocês não nos compreendem na mesma medida que nós nao vos compreendemos a vocês.

 

Os nossos sentimentos são problemas que precisam de ser solucionados e superados. Aprendemos isto pelo nosso passado, através dos nossos pares, dos nossos pais, da própria cultura em que vivemos e respiramos. Aprendemos que as nossas acções são suspeitas e que as nossas decisões enquanto seres que sentem não são sábias, então escondemos os nossos sentimentos de nós próprios e do mundo em redor. Os nossos corpos, quando jovens, fluem cheios de testosterona tornando-nos potencialmente mais agressivos, predispostos a correr riscos, a tomar a iniciativa, a dominar e a tornar-nos mais anti-sociais. Os nossos sentimentos, interligados neste cocktail hormonal, têm de ser controlados e domados, para que nós nos possamos controlar e concentrar. Os nossos sentimentos andam lado a lado com a testosterona e não se pode controlar uma sem controlar o outro.

Passamos mais de uma década a tentar atingir o equilíbrio entre sabedoria, emoções e acção, e ainda assim não conseguimos confiar no que sentimos. Isto acontece porque após uma década ou mais, a perda de regulação emocional significa também a perda da escolha, a perda de acção deliberada e perda de posição social.


As mulheres querem que sejamos capazes de mostrar o que sentimos mas muitas vezes não compreendem a perspectiva na qual nós controlamos as nossas emoções. As mulheres querem romance, viverem algo excitante, misterioso e sentirem-se especiais mas para nós isto requer acção, algo que ofereça uma solução e por isso compramos flores, levamos-as a restaurantes especiais e fazemos um esforço para elas se sentirem especiais também.

 

Nós não conseguimos compreender que muitas vezes as mulheres não querem necessariamente as acções; elas querem a visibilidade, o olhar, a atenção, o charme que emana de um homem concentrado apenas nelas. Muitas vezes acaba por acontecer que elas percebem que estamos a tentar comprar os sentimentos delas e nós sentimos que os nossos esforços são em vão, nenhum de nós compreendendo que o que o outro sente de forma exactamente igual mas apenas se expressando de forma diferente.

 

Quando as mulheres se abrem para nós, quando choram, quando estão magoadas e chateadas, querem apenas alguém que se junte no desconforto delas, que valide o que elas estão a sentir, que mostre empatia. Quando ouvimos a sua dor, nós sentimo-nos solidários com elas, nós compreendemos, apenas não o demonstramos de forma clara e que ela perceba. Vemos a mágoa e muitas vezes sentimo-la dentro de nós e só queremos que ela pare, não queremos que sofram e por isso temos tendência a agir, queremos resolver o problema e a única coisa que conseguimos fazer é oferecer soluções. Por isto as mulheres pensam que nós não as estamos a ouvir e nós pensamos que não nos levam a sério, nenhum de nós compreendendo que o que o outro sente de forma exactamente igual mas apenas se expressando de forma diferente.

 

Nós somos capazes de demonstrar o que sentimos mas tem de haver confiança, e tem que haver muita força. Temos de confiar que não vamos perder a nossa posição social aos vossos olhos, e muitas vezes perdemos essa posição social porque muitas mulheres o veem como sinal de fraqueza. Temos de confiar que nao vao usar os nossos sentimentos contra nós, e muitas vezes isto não acontece, porque as mulheres são exímias em transformar sentimentos em armas e em arremessa-los onde eles infligem dano. Força… Nao sao os homens que precisam de força, são as mulheres que precisam dela porque nós não somos capazes de demonstrar o que sentimos a alguém incapaz de o absorver e de nos demonstrar que esses sentimentos são de facto compreendidos. Se não tiverem a força de serem temerárias perante os nossos medos, perante as nossas inseguranças, ou se não tiverem força para serem testemunhas da nossa dor e angústia, nós apenas escolhemos em esconder e gerir todo esse novelo longe de vocês. Quando nos perguntarem o que estamos a sentir, quando nos perguntarem para demonstrar as nossas emoções, vocês estão só a pedir que percamos o controlo. Estão a pedir nos que esquecemos décadas de controlo. Estão a pedir nos para não agir mas sim para libertar. Nós nunca o conseguiremos fazer a não ser que vocês tenham a força para nos trazer de volta.


Se querem que partilhemos a nossa alma com vocês, não pode ser apenas porque pedem para partilharmos, não vai acontecer dessa maneira. Temos demasiados anos de auto-controlo no bolso para simplesmente o deixarmos ir dessa maneira, nós simplesmente não podemos e não conseguimos.

 

 

Se querem saber o que vai dentro da alma de um homem, vocês precisam de provar que são mais fortes que ele. Juntem-se nas acções deles a arranjar coisas que não precisam de ser arranjadas, perguntem-nos como pretendemos resolver os nossos problemas. Percebam que as nossas soluções são apenas palavras, não são acções excepto na intenção de resolver os nossos problemas. Os nossos sentimentos estão escondidos até de nós, mas no fundo sabemos que temos a necessidade de agir, de fazer e de planear. Se nos ajudarem nas nossas acções, nos nossos planos, nos guiarem e nos ajudarem a evitar decisões menos sábias, nós iremos compreender que vocês têm a força que precisam de ter para nos ouvirem. A medida que desenvolvemos os nossos planos, os nossos sentimentos tornam-se claros, e se estiverem ao nosso lado irão estar no lugar certo para também os verem

 

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